segunda-feira, 7 de novembro de 2011

MÉDICOS E LABORATÓRIOS, ATÉ ONDE PODE IR ESSA RELAÇÃO?

Todos nós que militamos na área da saúde conhecemos os benefícios e os efeitos colaterais das substâncias que utilizamos. O que deve pautar o critério de prescrição é o custo/benefício da utilização da substância. Se os efeitos adversos forem maiores que os benefícios obtidos para o estado do paciente, isso contra-indica  droga, com raríssimas exceções.
            Um fato do conhecimento dos profissionais de saúde é a propaganda e a abordagem da Indústria Farmacêutica na busca da colocação no mercado de seus produtos. Obviamente esses produtos foram objeto de pesquisas consideradas rigorosas e dentro dos padrões de exigência científica que se requer.  Isso entretanto não impede que vez por outra os laboratórios não tentem seduzir os médicos a prescreverem esse ou aquele medicamento.
            A matéria publicada no site Folha.com, em 18 e outubro passado, de autoria de Claudia Collucci, em que entrevista a Dra. Marcia Angell, 72anos, primeira mulher a ocupar o cargo de editora-chefe no bicentenário "New England Journal of Medicine", também Professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Harvard, traz sérias afirmações que envolvem a relação médicos versus laboratórios farmaceuticos.
            Segundo ela essa relação é perniciosa, contaminando inclusive escolas tradicionais de medicina e pesquisadores que acabam por estabelecer determinados vínculos com a indústria farmacêutica, o que colocaria sua isenção na indicação de determinados produtos em dúvida, ou fariam com que não contestassem determinados efeitos negativos desses medicamentos.
            A matéria serve de alerta a todos que prescrevemos para nossos pacientes,buscando sempre um melhor critério de avaliação desses produtos, evitando-se sempre que possível o comprometimento de qualquer espécie com esse ou aquele laboratório farmacêutico.
Vejam o artigo como publicado:
 slrm.

DROGA PSIQUIÁTRICA É VENENO PARA CRIANÇAS, DIZ MÉDICA

CLÁUDIA COLLUCCI
DE WASHINGTON - 18/10/2011 - 14h39
Primeira mulher a ocupar o cargo de editora-chefe no bicentenário "New England Journal of Medicine", a médica Marcia Angell já foi considerada pela revista "Time" uma das 25 personalidades mais influentes nos EUA.
Desde 2004, Angell, 72, é conhecida como a mulher que tirou o sossego da indústria farmacêutica e de muitos médicos e pesquisadores que trabalham na área.
Naquele ano, ela publicou a explosiva obra "A Verdade sobre os Laboratórios Farmacêuticos", que desnuda o mercado de medicamentos.
Usando da experiência de duas décadas de trabalho no "NEJM", ela conta, por exemplo, como os laboratórios se afastaram de sua missão original de descobrir e fabricar remédios úteis para se transformar em gigantescas máquinas de marketing.
Professora do Departamento de Medicina Social da Universidade Harvard, Angell é autora de vários artigos e livros que questionam a ética na prática e na pesquisa clínica. Tornou-se também uma crítica ferrenha do sistema de saúde americano.
Tem se dedicado a escrever artigos alertando sobre o excesso de prescrição de drogas antipsicóticas, especialmente entre crianças. "Estamos dando veneno para as pessoas mais vulneráveis da sociedade", diz ela.
Mãe de duas filhas e avó de gêmeos de oito meses, ela diz que recebe muitos convites para vir ao Brasil, mas se vê obrigada a recusá-los. "Não suporto a idéia de passar horas e horas dentro de um avião." A seguir, trechos da entrevista exclusiva que ela concedeu à Folha.
Folha - Houve alguma mudança no cenário dos conflitos de interesses entre médicos e indústria farmacêutica desde a publicação do seu livro?
Marcia Angell - Não. Os fatos continuam os mesmos. Talvez as pessoas estejam mais atentas. Há mais discussão, reportagens, livros, artigos acadêmicos sobre esses conflitos, então eles parecem estar mais sutis do que eram no passado. Mas é claro que as companhias farmacêuticas sempre encontram uma forma de manter o lucro.
E os pacientes? Algumas pesquisas mostram eles parecem não se importar muito com essas questões.
Em geral, os pacientes confiam cegamente nos seus médicos. Eles não querem ver esses problemas.
Além disso, as pessoas sempre acreditam que os medicamentos sejam muito mais eficazes do que eles realmente são. Até porque somente estudos positivos são projetados e publicados.
A mídia, os pacientes e mesmo muitos médicos acreditam no que esses estudos publicam. As pessoas crêem que as drogas sejam mágicas. Para todas as doenças, para toda infelicidade, existe uma droga. A pessoa vai ao médico e o médico diz: "Você precisa perder peso, fazer mais exercícios". E a pessoa diz: "Eu prefiro o remédio".
E os médicos andam tão ocupados, as consultas são tão rápidas, que ele faz a prescrição. Os pacientes acham o médico sério, confiável, quando ele faz isso.
Pacientes têm de ser educados para o fato de que não existem soluções mágicas para os seus problemas. Drogas têm efeitos colaterais que, muitas vezes, são piores do que o problema de base.
A Sra. tem escrito artigos sobre o excesso de prescrições na área da psiquiatria. Essa seria hoje uma das especialidades médicas mais conflituosas?
Penso que sim. Há hoje um evidente abuso na prescrição de drogas psiquiátricas, especialmente para crianças.
Crianças que têm problemas de comportamento ou problemas familiares vão até o médico e saem de lá com diagnóstico de transtorno bipolar, ou TDAH [transtorno de déficit de atenção e hiperatividade]. E é claro que tem o dedo da indústria estimulando os médicos a fazer mais e mais diagnósticos.
Às vezes, a criança chega a usar quatro, seis drogas diferentes porque uma dá muitos efeitos colaterais, a outra não reduz os sintomas e outras as deixam ainda mais doentes.
Drogas antipsicóticas estão claramente associadas ao diabetes e à síndrome metabólica. Estamos dando veneno para as pessoas mais vulneráveis da sociedade.
Pessoas que acham que isso não é assim tão terrível sempre argumentam comigo que essas crianças, em geral, chegaram a um estado tão ruim que algo precisa ser feito. Mas isso não é argumento.
Hoje, fala-se muito em medicina personalizada. Na oncologia, há uma aposta de que drogas desenvolvidas para grupos específicos de pacientes serão uma arma eficaz no combate ao câncer. A sra. acredita nessa possibilidade?
Para mim, isso é só propaganda. Não faz o menor sentido uma companhia farmacêutica desenvolver uma droga para um pequeno número de pessoas. E que sistema de saúde aguentaria pagar preços tão altos?
Algumas escolas de medicina nos EUA começaram a cortar subsídios da indústria farmacêutica e de equipamentos na educação médica continuada. No Brasil, essa dependência é ainda muito forte. É preciso eliminar por completo esse vínculo ou há uma chance de conciliar esses interesses?
Deve ser completamente eliminado. Professores pagam para fazer cursos de educação continuada, advogados fazem o mesmo, por que os médicos não podem? A diferença é que você não precisa ir a um resort no Havaí para ter educação médica continuada. É preciso pensar em modelos de capacitação mais modestos. E, com a internet, todos os países, mesmo os pobres ou em desenvolvimento, podem fazer isso. A educação médica não pode ser financiada por quem tem interesse comercial no conteúdo dessa educação.


domingo, 6 de novembro de 2011

ESTUDO MOSTRA RELAÇÃO DO NEUROTRANSMISSOR GABA COM COMPORTAMENTOS IMPULSIVOS.

Indivíduos impulsivos frequentemente exibem comportamentos agressivos e se propõem a realizar vários comportamentos desafiadores, como o abuso de álcool e outras drogas, além de problemas nos relacionamentos afetivos. O estudo liderado por Frederic Boy mostra que essas 'pessoas impulsivas' reagem desta maneira, em parte, porque elas têm níveis mais baixos do neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico).
O GABA é um neurotransmissor inibitório muito importante para uma parte específica do cérebro que atua no autocontrole. "Avanços nas técnicas de imagem cerebral permitem que sejamos capazes de investigar áreas diferentes e específicas do cérebro humano e ver como eles (os neurotransmissores) regulam o comportamento das pessoas”, disse Frederic.
Os pesquisadores convidaram um grupo de 'pessoas impulsivas' para participar da pesquisa, sendo que todos deveriam responder a um questionário que avaliava os diferentes aspectos da impulsividade. Em seguida, eles foram submetidos a uma técnica de imagem cerebral (espectroscopia por ressonância magnética) para a medição da quantidade de GABA em certas regiões cerebrais. Entre esse grupo de pessoas analisadas haviam indivíduos sem história de distúrbios psiquiátricos ou dependência de drogas.
Os investigadores descobriram que indivíduos com mais GABA em sua área pré-frontal do cérebro tiveram escores mais baixos em um aspecto da impulsividade que foi chamado de "sentimento de urgência" - a tendência a agir impulsivamente em resposta a angústia ou outras emoções fortes.
Por outro lado, aqueles com menor GABA nessa área tendem a ter escores mais elevados no aspecto de urgência. Estes resultados adicionam à evidência de que "GABA baixo pode ser um fator de risco para a disfunção cortical através de uma série de distúrbios, como depressão e transtorno do pânico que estão associados com baixo nível de GABA cortical", comentou o Dr. John Krystal, editor da Biological Psychiatry, que publicou a pesquisa.
Os autores dizem que o próximo componente da investigação incidirá na compreensão da relação entre GABA e o córtex pré-frontal. "Depois dos próximos estudos é que nós poderemos começar a avaliar se há alguma maneira pela qual poderíamos tratar um déficit de GABA nesta área. Eu suspeito que isso poderia ser difícil, já que o GABA está presente em todo o cérebro, elevar o nível de forma indiscriminada pode ter todos os tipos de conseqüências imprevisíveis ", disse Boy.

"Outra área que precisa de mais pesquisas é saber se os níveis de GABA no córtex pré-frontal flutuam ao longo do tempo, já que este estudo é simplesmente instantâneo e com níveis de um determinado dia."

Fonte: Psych Central
Comentários:
A ingestão de cereais integrais, oleaginosas, peixes, ovos, frutas e os legumes, poderá proporcional o controle do humor.
SLRM 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O TRATAMENTO DO EX-PRESIDENTE LULA E O TRATAMENTO DO SUS.


A matéria abaixo publicada no site da BBC – Brasil na data de hoje, fala do tratamento do ex-presidente Lula em hospital particular, e cita afirmativa de vários médicos que o atendimento do SUS, hoje, como por exemplo no INCA-RJ, nada deixa a desejar comparado aos hospitais particulares.
Em contraste com esses dados é afirmado que os hospitais especializados dão conta somente de pouco mais de 5% da demanda nacional.
Outro diferencial importante é que na rede privada o atendimento é imediato, enquanto na rede pública o paciente acaba caindo numa dificuldade burocrática que termina por atrasar o atendimento.
Ainda segundo a reportagem, levantamento do TCU diz que, em 2010, cerca de 35% dos pacientes que necessitariam de radioterapia nas unidades públicas ficou sem atendimento. Segundo o médico, isso acontece porque o Brasil tem um déficit de 200 equipamentos de radioterapia.
A reportagem mostra ainda que muitos pacientes que necessitam de radioterapia para cura mais rápida, ficam sem tratamento ou fazem quimioterapia por tempo mais prolongado,como tratamento paliativo, ou ainda cirurgias desnecessárias.
Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU), divulgado na última segunda-feira, diz que o tempo de espera médio para o início do tratamento de quimioterapia na rede pública é de 76,3 dias e somente 35% dos pacientes são atendidos após 30 dias, dentro do prazo recomendado pelo Ministério da Saúde.
Conforme mostra a reportagem, segundo o DATA-SUS, o governo brasileiro nos últimos 12 meses, gastou menos 25% com radioterapia que os gastos com quimioterapia, ou seja: 366milhões com radioterapia, contra 1,3 bilhões com quimioterapia.
Estes dados demonstram claramente que por mais o ex-presidente Lula tenha todo o direito de tratamento particular, até porque pode pagá-lo, não se pode querer comparar o atendimento que está recebendo com a atenção que receberia no SUS se o procurasse apenas como um torneiro mecânico.  
Não há nada errado que seja atendido no SUS ou em hospital particular. A diferença está no fato de que se for atendido no SUS, por uma questão de justiça, teria que se submeter aos mesmos protocolos e burocracias que o demais pacientes, para cumprir a determinação de um atendimento universal e  igualitário, e com certeza, nesse caso, não haveria a presteza no inicio do tratamento como ocorreu na clínica particular.
Concluindo, podemos afirmar que a realidade do atendimento pelo SUS em todo o Brasil, incluindo o tratamento de câncer, ainda está muito longe de ser ao menos satisfatório, e completamente divergente da realidade que os políticos procuram apresentar em suas campanhas ou propagandas de governo.
Slrm – 02/novembro/2011

DO VIVER E DO MORRER.


            O dia de hoje é consagrado à celebração da homenagem aos nossos mortos.
            Como em muitas tradições culturais pelo mundo também reverenciamos nossos antepassados, aqueles entes queridos que conosco conviveram durante um período, participando do fantástico trem da vida terrena, mas que desembarcaram em outras estações, para poderem experienciar novos caminhos, outras jornadas.
            Continuamos embarcados na nave vida, conhecendo, compartilhando e relacionando com outros passageiros, alguns recém embarcados, que conosco transitarão por uma jornada, até que um de nós, ou alguns, desembarque em nova estação.
            Como em toda despedida sentimos o coração apertado, a voz embargada, os olhos marejados de lágrimas, mas mesmo assim, sorrimos, meio sem jeito, para desejar boa viagem à aquele que parte. Ao outro, que desembarca numa estação que não é a nossa despedimo-nos com um até logo, nos vemos em breve.
            Quando realmente queremos o melhor para nossos pares, não os retemos. Sabemos que cada um de nós veio com um roteiro para essa jornada de exploração da vida terrena e devemos também saber que não podemos incluir ninguém em nosso roteiro, assim como não devemos tentar alterar a jornada do outro.
            Partilhamos juntos enquanto caminhamos pela mesma estrada, dividimos alegrias e tristezas, incertezas e superações, tornamo-nos, muitas vezes, como se fossemos um. Entretanto, ao atingirmos a encruzilhada da vida, ou a estação onde cada qual segue seu caminho para novas aventuras, separamo-nos, não sem certa tristeza, mas com a convicção e o sincero desejo que o nosso (a) parceiro (a) faça uma boa viagem.
            Precisamos crer, porque tudo o indica, somos seres imortais, transitoriamente num revestimento carnal, por breve espaço de tempo, porque a vida, mesmo,  é a do espírito e esse é imortal.
            Na terapia de vidas passadas (TVP) convivemos com esse fato ordinariamente, mesmo contra àqueles que teimam em negar, talvez mais por medo de ver ruir suas convicções, e a circunstância de cremos ou não, não invalida o fenômeno. O fato de não podermos perceber um Múon (uma das menores partículas sub-atômicas) não anula  sua existência.
            O que há de mais moderno na ciência atualmente constata: “Toda interação subatômica consiste na aniquilação das partículas originais e na criação de novas partículas subatômicas. O mundo subatômico é uma dança sem fim de criação e aniquilação, de matéria transformando-se em energia, e de energia transformando-se em massa. Formas transitórias faíscam dentro e fora da existência, engendrando uma realidade sem fim, para sempre novamente recriada.”
            A alma experiencia na matéria e através da vivência na matéria ela atinge os mais altos desígnios de sua existência no plano evolutivo espiritual.
            Não tenho a pretensão de convencer ninguém sobre a vida após a morte, isso cabe a cada um em seu processo existencial encontrar, apenas, não há como negar que a vida tal como a entendemos é apenas uma experiência entre o vir de um local “desconhecido”, exercitar-se na matéria e retornar ao mesmo lugar “desconhecido”. A esse entrar e sair na matéria é que os budistas tibetanos chamam de Sansara, o ciclo de nascimento e morte.
            Buda teria dito: “Esta nossa existência é transitória como as nuvens do outono. Ver o nascimento e a morte dos seres é como olhar os movimentos de uma dança. Uma vida é como o clarão de um relâmpago no céu, rápida como uma torrente que se precipita montanha abaixo”
         “O que nasceu há de morrer,
 O que foi reunido dispersará,
O que foi acumulado há de se esgotar,
O que foi construído há de ruir,
E o que foi elevado há de baixar”
Da experiência de pessoas que conviveram com o estado de quase morte (EQM), ou que passaram por graves enfermidades, e em momentos antes de deixar o corpo, comentaram:  
De um homem que estava perdido e vagava sem rumo, sem outra meta na vida que o desejo pela riqueza material, fui transformado em alguém com uma profunda motivação e propósito na vida, com uma direção definida e com a convicção reforçada de que há um prêmio quando ela chega ao seu final. Meu interesse pela riqueza material e minha avidez por bens foram substituídos por uma sede de compreensão espiritual e um desejo apaixonado de ver as condições do mundo melhorarem.”
            Uma mulher disse a Margot Grey, pesquisadora inglesa que trabalha com EQM:
As coisas que devagarzinho fui sentindo eram um sentimento de amor muito elevado, a capacidade para comunicar esse amor e encontrar alegria e prazer nas menores e mais insignificantes coisas em mim... Desenvolvi uma grande compaixão pelas pessoas doentes e que estão na iminência da morte, e queria muito avisá-las, conscientizá-las de algum modo que o processo de morte  nada mais é do que uma extensão da vida de cada um.”
            No diário de Freda Naylor, médica, que escreveu nos momentos terminais de sua vida consumida pelo câncer:
Tenho tido experiências que nunca havia tido, o que devo agradecer ao câncer: humildade, conciliação com minha própria mortalidade, conhecimento de minha força interior – que continuamente me surpreende – e mais coisas a meu respeito que descobri porque tive que interromper meus passos, reavaliar tudo e prosseguir.”
            O que, portanto, nos dificulta o entendimento e aceitação da continuidade da vida pós a extinção do corpo físico, é o apego á matéria, à realidade mental que construímos, capaz de gerar emoções negativas no sistema psicofísico, composto pelos canais sutis - ar interior e energia – e se concentram em determinados centros de energia do corpo, de acordo com os Tantras Dzogchen. Assim eles definem esse bloqueio que nos afasta da compreensão de uma realidade amplificada e nos fixa no plano da matéria e dos ideais terrenos: 1) As sementes dos reinos dos infernos e a causa deles – o ÓDIO – ficam nas solas dos pés. 2) O reino dos fantasmas famintos e sua causa – a AVAREZA – ficam na base do tronco. 3) O reino animal e sua causa – a IGNORÂNCIA – ficam no umbigo. 4) O reino humano e sua causa – a DÚVIDA – ficam no coração. 5) O reino dos semideuses e sua causa  - o CIÚME e a INVEJA – estão na garganta. 6) o reino dos deuses e sua causa – o ORGULHO – estão no topo da cabeça.
            Esses seis reinos que são canais de energia do corpo físico carregam emoções negativas que impedem o processo e evolutivo espiritual, necessitam, segundo as tradições tibetanas, que sejam purificados para que aquele ser, mesmo já no plano espiritual, possa ver-se livre de seu carma e dissolver-se em luz radiante (Divina).
            Isso significa, segundo essas tradições, uma prática que podemos realizar para auxiliar aqueles que nos são caros e já não pertencem a esse plano, no lugar das lamentações, do pranto revoltado, da saudade eivada de egoísmo, que conturbam a vivência do espírito desencarnado.
            Ainda segundo os monges budistas, a consciência da pessoa que morreu, quando invocada pelo poder da oração, pode ler nossas mentes e sentir exatamente tudo o que estamos pensando ou meditando. Por isso não há obstáculos para que ela compreenda as práticas feitas em sua intenção, em qualquer tipo de crença. Para ela a linguagem não é barreira de espécie alguma, uma vez que o significado essencial do texto religioso pode ser entendido plena e diretamente por sua “mente” no plano espiritual.
            Lembrar os nossos mortos é  sobretudo conversar com eles, assim como faríamos aqui, elevar até eles nossos melhores sentimentos, nosso afeto, nosso amor, nosso abraço e em especial nossas preces, de qualquer crença, pois ela são como bálsamos em feridas, serenam e acalmam as almas sofredoras, amainam os ódios e os rancores transportados, mas especialmente proporcionam a intercessão benfeitora da espiritualidade elevada e da compaixão Divina.
            Que cada um dos nossos queridos e todos que partiram desse plano, encontrem o caminho da evolução espiritual, da integração plena na luminosidade  divina, na benevolência, na compaixão, na misericórdia do inominável todo poderoso.

AUTOBIOGRAFIA EM CINCO CAPÍTULOS
(Nyoshul Khenpo)
1)      Ando pela rua
Há um buraco fundo na calçada
Eu caio
Estou perdido... sem esperança.
Não é culpa minha.
Leva uma eternidade para encontrar a saída.
2)      Ando pela mesma rua.
Há um buraco fundo na calçada
Mas finjo não vê-lo
Caio nele de novo.
Não posso acreditar que estou no mesmo lugar.
Mas não é culpa minha.
Ainda assim leva um tempão para sair.
3)      Ando pela mesma rua
Há um buraco fundo na calçada
Vejo que ele ali está
Ainda assim caio... é um hábito.
Meus olhos se abrem
Sei onde estou
É minha culpa.
Saio imediatamente.
4)       Ando pela mesma rua
Há um buraco fundo na calçada
Dou a volta.
5)       Ando por outra rua.

Que possamos todos atingir o esclarecimento que nos abre os olhos do espírito, evitando assim sucessivas e erráticas encarnações.  
Que a fulgurante luz do Eu sou, que tudo transmuta, preencha nossos corpos,mentes e espíritos, purificando-nos e removendo todas as impurezas emocionais do carma, de nossa vidas, de nossos antepassados e dos que nos são caros no mundo espiritual, libertando-nos assim da roda do Samsara.
(*)  OM AH HUM VAJRA GURU PADMA SIDDHI HUM
(*)  OM AH HUM VAJRA GURU PADMA SIDDHI HUM
Om, Ah, Hum -  purificam todas as obscuridades provenientes dos Três Venenos.
Vajra - purifica todas as obscuridades provenientes do ódio.
Guru  - purifica todas das obscuridades proveniente do orgulho.
Padma - purifica todas as obscuridades provenientes da inveja.
Hum - purifica todas as obscuridades provenientes de todas as máculas.
02/NOVEMBR0/2011 = 19:30h
SLRM
Bibliografia:
1)       O livro Tibetano do Viver e do Morrer – Sogyal Rinpoche – Editora Talento / Palas Athena – 2ª Edição – Maio de 1999 – IBSN – 85-7242-026-6